Às vezes a vida mostra-nos da forma mais difícil o caminho da compreensão.
Quando tudo parece já perdido, ouvem-se os sons de longe, as cores organizam-se em conjuntos e ganham forma, e o mar entoa o poema da esperança.
Acreditar nunca me pareceu tão difícil.
Como é doloroso fechar os olhos para o raiar do sol, e viver na escuridão momentos que nunca se agarram com a força da realidade. E fica tão fácil acreditar, como tão difícil torná-los parte da nossa vida.
Porque os sorrisos, a bravura das palavras, a partilha das canções, o cheiro dos momentos, cabem na dimensão dos sonhos e não na plenitude da vida. E de novo tudo se esfuma. As histórias terminam no palco, os panos descem, e enquanto uns se recompõem dos momentos vividos, outros aplaudem. E há momentos na vida que não passam disso mesmo: recordações de histórias de filmes ou espectáculos assistidos. Porque nada do que é vivido com veracidade se fica apenas pela dimensão dos sonhos ou pela bravura das memórias.
Mas até para saber compreender a mensagem dos sonhos ou das memórias é preciso viver a vida livremente. Às vezes basta contar ao mar momentos que nunca tiveram vida, e fazê-lo acreditar tão fortemente como nós acreditámos um dia. Porque não há maior prazer na vida que acreditar na liberdade dos sentimentos.
E de novo tudo se esfuma, e para sempre a vontade de fazer com que os sonhos se tornem realidade, mas nunca a bênção de acreditar e de lutarmos pela liberdade de sermos felizes. Porque às vezes, na razão da escuridão nasce a luz de continuarmos a acreditar nas coisas simples da vida, mas ainda assim as mais importantes, e que essas sim serão reais e verdadeiras para sempre…
filipaferreira 29-10-2006

