Pensei que fosse mais fácil matar-te dentro de mim. Sufocar-te até não poder mais. Tirar-te o ar que me tiras tu a mim, e devolver-mo como prémio de consolação.
Mas canso-me mais agora. Muito mais do que quando possuías o meu corpo e dilaceravas a minha mente. Afinal sempre estava dependente dessa dependência que dominava o meu tempo.
Passam os dias, e sem perceber muito bem como e porquê, vou eu passando com eles. Um passar meio passeio depois da idade da reforma. Não espero por ti em lado nenhum porque não te deixei um papel com a minha morada, uma pista do meu número de telefone. Cansei-me de o fazer. Afinal, nunca vieste, nunca respondeste aos meus bilhetes, deixaste de me acenar na rua.
Morreram os tempos em que me deixava consumir pelo desejo de um beijo teu. Morreram aqueles em que me afogava na memória de uma presença tua. Morreram os meus agora que não estás.
Ainda não saí do mesmo sítio. Mas não espero por ti em lado nenhum. É melhor assim.
Lava-me, esfrega-me a pele. Limpa-me desse teu cheiro, da necessidade do teu corpo. Esfrega-me até não poderes mais, até fazer sangue, até deixar de ouvir a tua respiração, até o mundo deixar de ouvir a minha, não importa. Não importa o mundo. Não importa a vida. Não importa o tempo. Não importa tudo... porque não estás.
filipaferreira 01-06-2008
ao som de Citizen Erased - Hullabaloo, Muse