Friday, 21 September 2007

ansiedade


Não existe a palavra "cor" no dicionário em que me encontro. Ao invés, páginas de espera, repetição de sons, frases que não se formam devido à estagnação do pensamento. Parar. Fazê-lo contra-vontade pode ser criticável. Compreensível para mim, porque os segundos avançam no relógio da vida, e eu... aqui... parada...


Mas nunca ninguém disse que só é possível caminhar com as pernas, pois não?!
filipaferreira 21-09-2007

Tuesday, 4 September 2007

Idiopatia do querer



Caminho a passos largos com a idiopatia do querer.


Na sombra de um passo existe o ganhar folêgo para outro, os pulmões colados às costelas, o coração a bater... páro!


Revejo os estilhaços de mim no espelho de uma poça de água que ficou na sombra do tempo. Olho para mim e não me reconheço. Para lá de um sorriso uma expressão congelada pelos infortúnios da vida. Não fui a peça original dos pedaços partidos dentro de mim, nem sou o seu conjunto depois de reorganizados. Sobram peças mas continuam a haver buracos por preencher.


Mas quero, continuo a querer.


Pinto em tela o espaço de um lugar preenchido por sofás, maples, candeeiros, jornais. Estou sentada no sofá vermelho do canto. Passo a mão pelo lugar a meu lado, e ainda se encontra quente, como se tivesses estado lá há tão pouco tempo, quanto os poucos minutos que conto sem conseguir pensar em ti. E a realidade é que nunca lá estiveste, mas ainda assim desenho-te na perfeição e pinto a tua roupa com as tuas cores preferidas. Ainda não me ensinaram a técnica para pintar os cheiros, mas sabendo-a, pintaria na perfeição o odor teu, que sinto no que resta deste cenário que invento.


E nesse lugar em que te aprisionaste, não há espaço para uma respiração contra o meu peito, uma mão pelos meus cabelos, uma palavra no meu ouvido. Não me procuras. Não invento mais...
Na realidade nunca estiveste a meu lado. Talvez até eu nunca lá tenha estado, sentada nesse sofá vermelho em que gostava de te ter tido ao meu lado. Abraçar-te. E mesmo se te pintasse a meu lado nesta tela que invento, existiria com certeza uma parede de cimento entre nós, mesmo que estivessemos lado a lado, nesse mesmo sofá. Uma parede que não construí, uma barreira que não sou eu. O limite entre o conjunto desorganizado que sou, os estilhaços em que me tornei, e a incompletude da sua reorganização.


E nessa galeria de arte em que me passeio, acordo para a realidade da cena que me acompanha. Um quadro que sou obrigada a deixar para trás, uma tela em que nunca estive, e muito menos em que te tive a meu lado, cores que se apagaram na vida que transporto comigo. Mas como queria ter ficado lá, como queria que nos tivessem visto lá... um querer tão forte quanto a realidade que invento de lá ter estado contigo.


Mas quero, quero muito, e hei-de continuar a querer!

filipaferreira 04-09-2007



dedido este post aos que o ansearam, como eu...