Wednesday, 13 December 2006

Olhar

Espero por ti ao virar da esquina… um olhar.

Corro na vastidão dos campos surdos, onde o vento não incendeia a mais pequena parte de mim que há neles, porque tudo em mim já arde.

As portas do fim do mundo parecem estar longe demais para aquilo que o meu olhar consegue suportar ver ruir à sua volta. Ainda assim, o caminho é desprovido de qualquer som, e até o brilho da noite se torna incandescente demais.

Nunca tudo me pareceu tão belo… as imagens apagadas da memória, a lembrança de uma voz lá ao longe já esquecida, a loucura de um trambolhão de sentimentos inesquecíveis, um olhar…

Mas as portas do incêndio esquecido dentro de mim fazem parte da última flor que ficou por arder. Tudo para trás são trilhos onde já nada que seja plantado pode ganhar vida, onde o mais pequeno som não pode ser ouvido, onde os olhares já se perderam há muito nas cinzas dos sorrisos… mas até no lugar da chama fria que o fogo ateado deixou em mim, depois das escadas de incêndio terem caído de rompante da minha sombra eloquente, existe e existirá sempre uma vastidão de campos surdos, onde por breves momentos fecho os olhos e me vejo a esperar por ti ao virar da esquina… onde os olhares se cruzam… e tudo em mim ainda arde…

filipaferreira 13-12-2006

2 comments:

Anonymous said...

Muito muito bom, as tuas palavras são muita mais que paginas soltas...

Anonymous said...

Canto a vida como a conheço
E sei que o Sol é quente no
verão
Penso em ti quando adormeço
E por ti Amor farei uma
revolução.
Na minha vida até o sonho é mar
A imensidão perdida
na demora
De olhar o céu e poder contemplar
O azul onde tenho a
minha hora.
Canto o mar... em nós o sinto
E tenho em mim as ondas a
bater
Que ao Amor eu nunca minto
Nem lhe escrevo só por escrever.
Ah! se eu pudesse na verdade
Levar o barco...aonde tu estás
E ter
no teu olhar a felicidade
Das marés que ficam para trás.
Talvez o
sonho seja apenas ficar...
No areal de uma praia qualquer
E ouvir no
mar sereias a cantar
Quando a Lua vier nos conhecer.
E no meu olhar
de sonhador...
Procuro as rochas que há em ti
Rasgo tempestades de
Amor...
Digo-te tudo o que não esqueci.
Um dia, quem sabe, talvez a
sós
Tenhamos nestas águas uma cama
E como ilhas uma parte de
nós

Abraçando as ondas de quem ama.