Tenho muitas coisas para te dizer. Mas não saem. Afinal já te escrevi muito, e há muito tempo. Não sei se me lês-te, ou se reconheces-te as minhas palavras em ti.
Acho que não ficaram muitas palavras por dizer. Mas há coisas que simplesmente devem ser ditas vezes sem conta, sob pena não serem compreendidas, ou esquecidas.
Parece-me que te esqueceste da nossa história. Daquela que página após página nos faz estar aqui hoje. Não acho incompreensível porque já passou muito tempo. Fomos felizes há muito tempo atrás, lutámos juntos contra a adversidade à muito tempo atrás, selámos juras de amor à muito tempo atrás. Naquela altura talvez fossemos só os dois a lutar contra o mundo. Naquela altura talvez fossemos muito fortes e determinados. Ou então naquela fomos obrigados a lutar. Terá sido a força do amor que nos empurrou? Eu própria não percebo se os momentos que passamos hoje é porque há alguém a obrigar-nos a desistir, ou se somos nós que nos esquecemos diariamente de nos olhar nos olhos, para nos lembrarmos que ainda nos conhecemos, que ainda somos amigos e amantes.
Às vezes torna-se impossível continuar. Porque os corpos estagnam no tempo e no espaço. Eu não compreendo porquê. Falta-me a clareza de espírito para decifrar a chave do amor. Não tenho uma ou duas coisas para te dizer. Tenho muitas. Quero reler-te os textos que te escrevi. Os poemas que te recitei. As juras de amor que proferi. Talvez se tivesses lido aquele mail, naquele dia, hoje fosse tudo diferente. Mas em vez, preferiste dizer que ainda não tinhas tido tempo.
No amor, e para o amor é preciso tempo. Não sei se te esqueceste disso também.
11 de Julho de 2012
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