Friday, 9 February 2007

frase solta





Viver é sempre voltar ao ponto de partida de nós . . .


Monday, 29 January 2007

pensamento

Os espaços entre os nadas dão abrigo aos dias de tempestade, que não são nada mais que um interlúdio do pensamento.

Tento alcançar, em vão, a melodia da música que faz vibrar os meus sentidos, a beleza das cores do arco-íris. E há momentos que não se esquecem, palavras que se repetem por anos, como se fossem o impasse repetitivo de uma música num disco riscado… repetições e mais repetições…

E todos os dias um sorriso desaparece… nasce o vazio. Todos os dias os corpos se afastam depois de um abraço que nunca foi dado, e uma parte do brilho do olhar se transforma numa cicatriz debaixo da roupa. Fica o vazio como lembrança… o vazio do rolar das lágrimas, do desespero, da raiva, da desilusão, da saudade… do nada…

E mais uma vez me pergunto porque há páginas na história da nossa vida nas quais a tinta da nossa caneta não tem a capacidade de penetrar, a nossa borracha não consegue exercer o seu efeito… porque é impossível, tão simplesmente, rasgá-las?!

Recordo tudo o que se foi embora para dar lugar à enclausura da impotência… Era o que eu queria com todas as minhas forças… rasgar-te da minha história, e jogar as folhas amachucadas que nela foste à roleta russa da vida… abandonar este jogo que não pedi para jogar, e correr sem olhar para trás… nunca mais olhar para trás…

filipaferreira 29-01-2007

Saturday, 20 January 2007

Azul


Pinto o emaranhado de cores que há no tudo e no nada, como se o pincel fosse a ponta dos meus dedos… e eu entrelaço-o com a mesma força com que te entrelaço no meu pensamento.

A imaginação de um céu azul, estrelado como a povoação de buscas incessantes ao infinito do imaterial, fazem perder a capacidade de sonhar com os curtos raios de luz que de vez em vez nos invadem a alma.

Mas fechando os olhos, perco a frieza do pensamento e deixo-me levar pela bravura do vento, que faz dançar a um ritmo descoordenado as pontas dos meus cabelos… e o mundo parece outro.

Tudo roda, o tempo urge! O sapateado das danças aguçadas pelo brilho dos movimentos rápidos, o cintilar de um beijo num olhar negro, uma cambalhota estonteante no embalar das ondas, os passos que se ouvem nos ecos das memórias… as pegadas que se deixam nos caminhos das histórias.

Tudo desaparece, tudo se transforma… o vento não pára, o mundo rodopia no assobio de um pássaro, os sonhos caem de uma varanda que balança, o céu continua azul… nada se transformou, nada desapareceu, nada existiu…

Aperto uma última vez o pincel com a ponta dos meus dedos no entrelaço de um momento tão efémero, como tantos outros em que nos apercebemos que já vamos tarde para contemplar as estrelas cadentes, de tão fugaz que é a sua aparição nos céus… mas ainda assim, lanço a minha mão para as tentar alcançar e volto a fechá-la, como quem aperta um punhado de areia…
trago-a esperançosamente até ao alcance do meu olhar...
vazia...


filipaferreira 19-01-2007

Saturday, 13 January 2007

escuro

Às vezes encontro no escuro uma nova forma de viver... nessas alturas é ele a mostrar-me o caminho do pensamento.

O frio invade-me o corpo como se me possuísse, e se apoderasse da minha mente, e eu deixo de ser. . .

As fotografias já não fazem sentido, os filmes já não contam a minha história. . . emprestei um pedaço do meu músculo a alguém que mo roubou, que mo levou, e construiu com ele um ser mais enervado que emotivo, um animal mais traiçoeiro que instintivo, uma vida mais mentira que verdade.

Percorro o túnel da minha alma, encontro pessoas que nunca chegaram a viver dentro de mim, ouço vozes que não consigo distinguir, vejo sentimentos que nunca cheguei a sentir, e lágrimas que nunca chegaram a percorrer a minha cara. . . mas até lá tudo é escuro, até lá eu ocupo um lugar negro nas fotografias, e os filmes se desfocam quando era a minha vez de aparecer. . .

Pergunto-me às vezes, se existem outras cores na vida, se para lá do gelo da minha expressão, algum dia poderá existir um sorriso, se algum dia poderei fechar os olhos para a vida, e confiar nela cegamente. . .

Foi o escuro que me ensinou que a vida não existe, que eu não faço parte do filme de alguém, e ninguém faz parte do meu. Foi o nada que me disse que não podemos esperar dos outros coisas que eles não são capazes de dar, simplesmente porque a sua alma é tão vazia como a minha. Que os sentimentos também ocupam lugares negros nas fotografias, porque até eles não são intemporais, até eles fazem parte de cenários que os cruéis inventam para fazer de conta que existem histórias em que as pessoas podem fechar os olhos e confiar cegamente umas nas outras.

É por eu ter deixado de acreditar em algo que jamais existirá, que a temperatura do meu corpo me obriga a chegar depressa ao destino da minha viagem, e os sonhos que personificam um fogo que nunca chegou a ter chama, se esfumam no vazio.

E com eles deixarei eu de existir um dia, quando já não houver ninguém que eu consiga avistar no túnel da minha alma e que me consiga reter no túnel da sua. . .


filipaferreira 11-02-2006

Tuesday, 9 January 2007

me . . .


How can the world be so stupid when i´m so obviously normal?!

Sunday, 7 January 2007

Navegue. . .


Navegue, descubra tesouros, mas não os tire do fundo do mar, o lugar deles é lá.
Admire a lua, sonhe com ela, mas não queira trazê-la para a terra.
Curta o sol, deixe-se acariciar por ele, mas lembre-se que o seu calor é para todos.
Sonhe com as estrelas, apenas sonhe, elas só podem brilhar no céu.
Não tente deter o vento, ele precisa correr por toda a parte, ele tem pressa de chegar sabe-se lá onde.
Não apare a chuva, ela quer cair e molhar muitos rostos, não pode molhar só o seu.
As lágrimas? Não as seque, elas precisam correr na minha, na sua, em todas as faces.
O sorriso! Esse deve segurar, não o deixe ir embora, agarre-o!
Quem ama? Guarde dentro de um guarda-jóias, tranque, perca a chave!
Quem você ama é a maior jóia que você possui, a mais valiosa.
Não importa se a estação do ano muda, se o século vira e se o milénio é outro, se a idade aumenta; conserve a vontade de viver, não se chega a parte alguma sem ela.
Abra todas as janelas que encontrar e as portas também.
Persiga um sonho, mas não o deixe viver sozinho.
Alimente a sua alma com amor, cure as suas feridas com carinho.
Descubra-se todos os dias, deixe-se levar pelas vontades, mas não enlouqueça por elas.
Procure sempre o fim de uma história, seja ela qual for.
Dê um sorriso a quem se esqueceu como se faz isso.
Acelere os seus pensamentos, mas não permita que eles o consumam.
Olhe para o lado, alguém precisa de si.
Abasteça o seu coração de fé e não a perca nunca.
Mergulhe a cabeça nos seus desejos e satisfaça-os.
Agonize de dor por um amigo, só saia dessa agonia se conseguir tirá-lo também.
Procure os seus caminhos, mas não magoe ninguém nessa procura.
Arrependa-se, volte atrás, peça perdão!
Não se acostume com o que não o faz feliz, revolte-se quando julgar necessário.
Alague o seu coração de esperanças, mas não deixe que ele se afogue nelas.
Se achar que precisa voltar, volte!
Se perceber que precisa seguir, siga!
Se estiver tudo errado, comece novamente.
Se estiver tudo certo, continue.
Se sentir saudades, mate-a.
Se perder um amor, não se perca!
Se o achar, segure-o!

"Circunda-te de rosas, ama, bebe e cala. O mais é nada".

Fernando Pessoa

Monday, 1 January 2007