Os espaços entre os nadas dão abrigo aos dias de tempestade, que não são nada mais que um interlúdio do pensamento.
Tento alcançar, em vão, a melodia da música que faz vibrar os meus sentidos, a beleza das cores do arco-íris. E há momentos que não se esquecem, palavras que se repetem por anos, como se fossem o impasse repetitivo de uma música num disco riscado… repetições e mais repetições…
E todos os dias um sorriso desaparece… nasce o vazio. Todos os dias os corpos se afastam depois de um abraço que nunca foi dado, e uma parte do brilho do olhar se transforma numa cicatriz debaixo da roupa. Fica o vazio como lembrança… o vazio do rolar das lágrimas, do desespero, da raiva, da desilusão, da saudade… do nada…
E mais uma vez me pergunto porque há páginas na história da nossa vida nas quais a tinta da nossa caneta não tem a capacidade de penetrar, a nossa borracha não consegue exercer o seu efeito… porque é impossível, tão simplesmente, rasgá-las?!
Recordo tudo o que se foi embora para dar lugar à enclausura da impotência… Era o que eu queria com todas as minhas forças… rasgar-te da minha história, e jogar as folhas amachucadas que nela foste à roleta russa da vida… abandonar este jogo que não pedi para jogar, e correr sem olhar para trás… nunca mais olhar para trás…
filipaferreira 29-01-2007


