Wednesday, 30 May 2007

Pés na areia



Porque há coisas simples que nos fazem recordar coisas que viajam sempre connosco por toda a parte, toda a vida...

E que tudo saiba sempre assim tão bem... como pés na areia...

Saturday, 26 May 2007

Qual é o tamanho da lua?!


Danço contigo ao sabor do vento uma música que me embala a alma.


O mundo deixa de existir,a minha vida sobe ao céu numa bola de sabão, e eu fico aqui contigo... onde as palavras personificam sentimentos que parecem intemporais num tempo que parece estar parado.


Como pode o tempo parar quando eu viajo dentro de mim a uma velocidade alucinante neste caminho que é também o teu?! E estar neste banho maria é tão estontiante, que o tempo estar parado ou não é quase o mesmo.


Sabes, quem dá valor às coisas simples da vida, acredita nestas coisas. Que os "para sempre" da vida são feitos de brilhos partilhados no olhar, de abraços que se desejam e são dados sem termos que pedir, da intensidade com que se vivem os momentos em que o tempo parece parar, da felicidade de terem o mesmo sentido as pegadas que deixamos gravadas na areia da praia.


E aqui estou eu, no meio destes embalos que a verdade do teu "eu" em mim me faz ter. Por isso eu danço, danço, e mais dançar me faz escutar o eco desta música através de tempos que ainda não vivi. A certeza que tenho?! Pô-la em repeat sempre até que o mar se canse de correr para terra.


Se gosto de ti?!

............................... do tamanho da lua...
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filipaferreira 26-05-2007

Saturday, 5 May 2007

Ventos



Beijo os cantos de um lume apagado, e sinto-me eu meia fria meia bamba. Um bamboleio de vai-véns num corpo morto que fazem ouvir em repeat o refrão desta música que me adormece.

E tudo parece de novo tão distante. A distância de uma mão que não se agarra, de um corpo que caí. A distância de uma imagem lá ao longe, até ela meia turva, meia perdida. E os sentidos ficam secos de vida de um momento para o outro. Uma secura que me consome em lume brando sem que nenhuma onda de vento lhe consiga penetrar.

Mas os ventos também se agitam, também nos agitam. Criam luzes no escuro de uma madrugada sombria, acompanhadas de assobios lentos de notas de música que parecemos reconhecer de qualquer lado. Mas quando tentamos agarrar a imagem que está para lá do denso nevoeiro da nossa alma, é o vento fazer-nos rodopiar numa dança estonteante de sentidos perdidos no teatro da vida.

E ali estou eu, no meio de mim e de um nevoeiro que me faz bambolear neste vai-vém de antagonismos catastróficos. Que me faz temer a parte de mim que anseia que a velocidade dos ventos se intensifiquem, para ficar de novo mais perto da imagem que está para lá da bruma de cores cinzentas.

Mas tudo é de repente tão desfocado como concreto. A viagem de idas e voltas desesperadas repete-se, sem ter comprado pacotes de bilhetes em promoção, e eu não pareço nada mais do que um boneco de trapos que vai envelhecendo à medida que os ventos vão e vêm. E nada fica retido em mim destes quilómetros que faço sem sair do mesmo lugar. Apenas uma cabeça aos turbilhões, um corpo que espera uma ambulância que não chega, uma vida presa por um fio que nem se enrola nem desprende.

E os bamboleios vão e vêm, o meu corpo fica e vai... A distância viajou a anos-luz para longe de mim e eu fiz viagem com ela. E nada nunca me pareceu tão distante... a distância inatingível de uma alma que está longe demais para que eu a consiga alcançar... e com ela bamboleio eu, num vai-vém que vai mas não volta...


filipaferreira 05-05-2007

Sunday, 29 April 2007

Bocadinho de vida



Passa o outro lado do ser e vê se existes, dentro do pequeno ser que julgas ser grande, dentro da grandeza que é a pequenez da tua incultivada alma. Procura a luz da incompletude que é na vida o mais simples que há em ti e nos outros. Alcança o pó que só tu és na terra, e dá-te a cada sopro de vida que for também teu, ou que ames como se fosse. Usa as palavras quantas vezes quiseres até reconheceres que o silêncio já diz tanto ou mais que elas. E quando conseguires um bocadinho disto tudo com o bocadinho de nada que és… podes começar a viver!
Porque não há vida que caiba na vida sem nada disto!
filipaferreira 29-12-2006

Wednesday, 18 April 2007

curvas


Assim me deixas, nestes abrigos ao inevitável. Numa casa encerrada a sete chaves, sem janelas, sem nada mais do que um pouco do resto de ar que escolhi para respirar. Uma respiração cortada em cores, como um arco-íris, que fizeste questão de separar em rasgões sem nexo nem sentido, sem corte nem medida.


Mas as curvas deste caminho não me embriagam. A embriaguez, essa sim, existiu quando tu ainda existias em mim. Quando os sorrisos pareciam não terminar e as pernas tremiam. Faz-me explodir os sentidos, sim, a ideia de ter que percorrê-lo sem te ter a meu lado. E no vagueio de uma tontura inebriante acordo lúcida de um sonho que nunca cheguei a ter. Uma lucidez que me estupidifica até à última ponta de cabelo e me corta o sorriso em quatro. As quatro linhas que traças-te, que pensei serem de um caminho com volta. Mas a seguir a uma volta veio outra, e a seguir a elas uma sucessão de voltas que me fizeram perder a capacidade de reorganizar esses pedaços de boca rasgada.


E por isso o meu conjunto desorganizado resume-se a um silêncio ensurdecedor de uma alma embriagada. Uma embriaguez que transformava sempre as curvas em caminhos concretos, porque eras tu a apontar-me a direcção, mas que hoje nada mais é que uma alma lúcida em ressaca. Por isso as curvas sucedem-se, e o meu percurso não se parece com nada mais, senão com vastidões de campos ameaçados por travagens bruscas de um ser partido em dois, em três, em tantos quanto o número de chaves com que me encerras-te neste céu sem sol.

Mas este caminho que percorro já não me embriaga mais do que a lucidez que me deixaste como recordação. E quem dera que eu não a visse a meu lado, aqui, nesta casa em que me vou separando em pedaços... pedaços meus que já não cabem em mim. E são eles, os pedaços rasgados de caminhos percorridos a teu lado, de sorrisos cortados, que quero aqui trancar, esses sim, a sete chaves. Sair deste buraco sem fundo, sem cor, e voltar a respirar o resultado de uma subtracção entre o ar do mundo e o ar que é o teu... e então, conseguir escapar à tortura de curvas sem volta deste meu caminho que existe porque tu já não existes nele. Porque não me embriaga a ideia de ter que o percorrer... mas deixa-me sem rumo a realidade concreta de ter que percorrê-lo sem ti...


filipaferreira 18-04-2007

Saturday, 7 April 2007

Ponteiros de relógio


Passeiam loucos os ponteiros do relógio, como multidões que correm incessantemente em caminhos que se cruzam. Esqueceram-se dos limites do tempo… todos se esqueceram dos limites do tempo...

E, de repente, tudo na vida se resume a horas, minutos, segundos. As horas transformadas em dias, meses, anos, que demoramos para construir a eternidade do que se procura toda a vida, os segundos que demoramos a destruí-las.

Mas os caminhos percorrem-se passo a passo, ao ritmo de qualquer relógio. O relógio que cavalga a uma velocidade vertiginosa quando estamos felizes, que esquecemos quando perdemos a noção do tempo, que pára quando nos rodeamos de sentimentos intempestivos que nos afundam a alma.

Mas as tempestades sucedem-se, os muros da vida vão aumentando e, de repente, lá estamos nós suspensos num ponteiro de qualquer relógio a tentar olhar para o mundo que fica para lá de nós. Aquele mundo que nos persegue enquanto tentamos escapar às rasteiras que a vida nos impõe. E sem nos apercebermos, estamos rodeados de números que se repetem sem que nada mais mude, de movimentos circulares de ponteiros descoordenados que nos enlouquecem.

E o pouco tempo que se tem nunca é aquele que usa enquanto os segundos avançam depressa, mas aquele que se perde quando deixamos que a vida pare em nós. Por isso, o tempo que temos que aproveitar é aquele imediatamente entre o segundo que já passou e o outro que vem a chegar. Tudo o resto são ponteiros do relógio mortos por ultrapassarem números numa corrida incessante para fugirem de si próprios…

filipaferreira 07-04-07

Tuesday, 27 March 2007

rectas paralelas


Os espaços mortos que me deixas são uma soma de rectas paralelas que nunca se chegam a cruzar. São elas que constroem o túnel através do qual vou caminhando, sem saber muito bem para onde e até quando, sem conseguir antever o seu fim.

Mas cá estou eu, rodeada de nadas infinitamente concretos, de falas profundamente silenciosas, de cadeiras vazias e esperas demoradas. Bebo o meu café de manhã, e o nível desse líquido opaco contínua imóvel no copo que é o teu… a tua cadeira vazia… a tua ausência presente. O telefone toca, ouço a tua voz quando atendo, mas não tenho registo de chamadas tuas.

E sem te ter a meu lado, os dias vão passando, enquanto por ti espero nessa esplanada de quiosque onde te vejo sempre… esperas demoradas… e na demora de um sinal teu, a cadeira a meu lado continua desocupada… e quem dera que o vazio que deixas em mim fosse só do tamanho desse lugar sem ninguém, a que já me habituei.

Mas todos esses “teus” continuam presentes em mim sem que ninguém os consiga alcançar. São tesouros perdidos no fundo do mar, que nem eu sei se de lá sairão algum dia. Sou eu, perdida no tempo do silêncio.

E é tudo tão vago como concreto, fugaz como eterno… uma fugacidade de aparições, conversas, trocas de calor quando as peles se tocam, por entre os espaços mortos, tão concretos, de rectas paralelas que nunca se chegam a cruzar…


filipaferreira 27-03-07