Caminho pela penumbra da noite,
à descoberta da vida que um dia disseram que era minha.
Ainda me lembro dos meus dias de criança,
momentos em que mesmo estando sozinha,
conseguia mascarar a realidade,
e ver surgir por entre aguaceiros intensos,
a beleza do puro raiar do sol.
Hoje, acredito que o sol existe
no meio dos terríveis presságios, que são imensos,
porque a esperança que trago dentro de mim,
é mais do que uma vida,
maior do que o oceano mais profundo,
e mais triste do que a tristeza do mundo.
Não considero a minha revolta em vão,
porque a verdadeira bravura
não está apenas dentro de quem vence:
Transforma um corpo em coração,
e dá sentido à vida vivida...
E o rumo que se persegue só se alcança
na hora em que se percebe na verdade,
que viver não é respirar,
mas amar a gota de água que espreita,
sorrir para o desconhecido que vai a passar,
e lutar com autenticidade,
para que no dia em que o mundo se tornar um sítio melhor,
se poder gritar “LIBERDADE”!
1 comment:
no alto do que não existe ficamos como suicidas olhando o vazio que cá por baixo se espraia
e num aceno doce e desanimado a despedida
do que antes era verdade e agora não passa de uma ilusão algemada
no que fica do que se era ribombam trovões secos
molha-se a aspereza do rosto contraído com fios inúteis
mais tarde o deserto invade de areia o espaço que sobrou
e as aranhas voltam pacientes trazendo nas suas teias a vida de outras paragens
e tudo recomeça com a paciência da agulha rodando num vinil
(ao longe a música como um segredo)
Gosto da tua poesia.
Miguel Preguiça
Post a Comment