Sunday, 3 December 2006

"Para Sempre"

Desenho os traços da roda viva que há em ti, e construo com eles um laço de emoções que exploram a forma como a minha pele ainda respira.

As ruas enchem-se de água, as casas ficam iluminadas de noite, há alguém que continua a vaguear nas ruas que já não são suas. O passeio da saudade enche-se de flores com cores e cheiros variados, que mais lembram o tempo em que os momentos ainda perduravam na eternidade, e todas as conversas acabavam com “para sempre”. Mas os rabiscos do sonho do crepúsculo depressa ofuscam o emaranhado de tons e sabores de um prato que nunca chegou a ser confeccionado ou que simplesmente deixamos esquecido no forno.

Tento recordar os momentos de felicidade, mas não me vejo neles. Ponho o filme dos traços que imaginei em ti mas nunca tos reconheci, e a cassete está em branco. Afinal o mar não estava assim tão revoltado, o céu não estava estrelado, a comida não soube bem. A nossa história não passou uma sucessão de aspirações a realidade, beijos a preto e branco, canções mal cantadas, eternidades frustradas… porque no final, neste pedaço de poema só consigo identificar o “era uma vez” e o “fim”.

Hoje, os traços da roda viva que foi este nada, nada me permitem desenhar, porque tudo não deixou de ser uma história de “para sempre” fictícios, que já não existiam muito antes da primeira vez em que foram ditos de verdade…

filipaferreira 30-11-06

3 comments:

Anonymous said...

O brilho, o sentimento e a confusão...
de um beijo, de um olhar, de uma noite...
faz tudo parte dos "para sempre" fictícios, mas não são sonhos traídos, são só obstáculos, porque doem quando esbarramos neles!
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Gostei deste post em particular, porque tem tudo a ver comigo e sinto que muito a ver contigo.

Anonymous said...

Hugo Said:
Sim senhor, menina filipa...
Um blog escrito com sentimento, que toca em temas delicados e com alguma profundidade, e "fácil de entender"
Vejo que já tens alguns fãs...
E se eu puder vou tentar ser mais um...
Gostei muito...continua...

PS - Excelente opção colocares a letra da música dos The Gift, simplesmente divinal essa música...

Anonymous said...

Há coisas que, por muito que se repitam, são sempre inéditas. A sensação de enterrar os pés na areia da praia na primavera é sempre um momento único e, embora o reconheçamos, pensamos: "Já não me lembrava como é tão bom!". Devemos acreditar que,a cada dia existem sensações que renascem e que, de certa forma, são únicas. É assim o regresso à praia na primavera; são assim os nossos reencontros passados meses (anos?) e é assim a vida, se quisermos acreditar que esta pode (re)começar todos os dias. Portanto minha amiga, nada é para sempre, mas tudo se repete!!