
Queria ouvir de ti o que não disseste, o que se perdeu...
Ouço a letra da música que me cantaste em surdina, e vou bebendo em goles este chá de ervas que me envenena aos bocadinhos.
Sou um corpo sem alma que se escuta, sem ouvir nada no eco de si.
As minhas mãos vazias deixam ainda mais árido este deserto em que me tornei. Pegam na caneta e não antevêem nenhum parágrafo, nenhuma palavra... com tanto que tenho para dizer.
Apetece-me saltar deste barco naufragado neste azul imenso, e esperar que alguém me salve.
Recordar todos os momentos e deixar que o meu livro de memórias seja esborratado por uma chávena de chá que lhe derramem em cima, sem que tenha que ser eu a bebê-lo... Dançarei esta dança, sim, desde que sejas tu a pedir a minha mão da próxima vez... navegarei nos teus braços, juro, como se se tratasse da última dança da minha vida, e prometo não me atirar jamais deste azul imenso para o barco naufragado em que estou.
Recordar todos os momentos e deixar que o meu livro de memórias seja esborratado por uma chávena de chá que lhe derramem em cima, sem que tenha que ser eu a bebê-lo... Dançarei esta dança, sim, desde que sejas tu a pedir a minha mão da próxima vez... navegarei nos teus braços, juro, como se se tratasse da última dança da minha vida, e prometo não me atirar jamais deste azul imenso para o barco naufragado em que estou.
Mas até lá, encontro-me sentada à beira rio a ver-me passar. Tento abraçar o tempo e recuperar os risos, os momentos, mas o teu perfume já não é nada mais senão uma composição de fragrâncias que decorei mas que já não sei reunir em conjunto... e eu um fragmento de ti. Puxo até mim a lembrança, como se te apertasse junto ao meu peito, mas no desfazer de um abraço encontro-me novamente a mim.
Leva-me o medo de viver da mesma forma que levaste o de morrer quando voaste para longe!.. para um longe tão perto que ter-te aqui é quase uma constante.
Já fui dona de castelos, encabecei frentes de batalha, lutei contra monstros terríveis, venci mares e tempestades, em sonhos e por ti. Faria tudo de novo.
Hoje sou um corpo sem alma sem ecos, que apenas vê a vida passar no lado mais profundo de si...
Hoje sou um corpo sem alma sem ecos, que apenas vê a vida passar no lado mais profundo de si...
filipa ferreira 24-06-2007
1 comment:
ei filipa bora escapar? vamos ouvir o eco... das ondas e da pele a estalar de tanto sol :) beijos* sinto a tua falta*
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