No silêncio de um suspiro que deixo para depois, olho atentamente para esta tela a óleo que temos vindo a pincelar dentro de nós.
Os múrmurios do vento trazem à lembrança tudo o que sem estar escrito, ficou gravado em mim.
Mas encontro-te aqui, onde o sol se põe muito antes de toda a luz em mim se apagar. Vejo-te aqui, neste recanto cheio de caroços de cerejas amontoados, que jogámos não importa para onde, desde que juntos. E anseio-te com a mesma força com que consigo abrir os olhos e vislumbrar-te, mesmo quando não estás.
Sinto-te, guardo-te, como quem guarda o maior tesouro da vida. Deixo a liberdade de ti viver nesse jardim em que nasceste, mas roubo-te um pedaço que planto no jardim que é o meu. E lá passas de carne crua a alma viva... Lá, sinto-te sem te tocar, e todos os odores se resumem a esse perfume tão teu, que já é meu também.
E como o meu olhar fica a preto e branco quando não estás e as músicas são substituídas por sons indecifráveis... que faz lembrar o agudizar de um silencio que se repete sem se ouvir a ele próprio.
Então sento-me e espero por ti. Aqui, onde não há tempo, paragens de autocarro e bilhetes para comprar. Porque sei que para lá do sol, está o nosso caminho.
Por isso, sinto-te, cheiro-te, guardo-te ainda mais dentro de mim.
Abro os olhos com a mesma força com que te desejo.. e no silêncio de um olhar, tu levas-me... e eu levo-te comigo.
Abro os olhos com a mesma força com que te desejo.. e no silêncio de um olhar, tu levas-me... e eu levo-te comigo.
filipaferreira 19-07-07
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