Monday, 29 October 2007

és-me

Fecho os olhos e vejo-te de perfil. Sei-o de cor. A dimensão do olhar que transportas nas linhas do tempo que deixas por escrever, a longitude que ele alcança, os rastos que vai deixando pelo caminho.

Perscruto-o e desvendo-o aos bocadinhos. Uma soma de traços alinhados em linhas curvas quem me embriagam. Um encaracolar de palavras balbuciadas, de gestos ferozes e indomáveis. Mas isto sou eu a ver-te de perfil, não a olhar-te nos olhos.

Esses jactos direccionados de água que me submergem se me atingem, e me aprisionam nessa caixa de lápis de côr onde somos um só. Mas não tenho medo que entres nas profundidades de mim. Não saberias mais de mim, não tenho mais segredos por desvendar, não sou mais que aquilo que já sabes.

Já te conduzi pelos trilhos mais profundos de mim, e dei-te todas as batalhas a ganhar. Revelei-te o nome de todos os ingredientes para me cozinhares. Ensinei-te os rabiscos coloridos que me formam, para me poderes desenhar também. Pinta, desenha... desenha até não poderes mais.

Não preciso de tudo sem ti... preciso de ti para ser tudo. Só quero que sejas, que estejas e que vivas. Que construas comigo o sonho de um livro cheio de páginas escritas, de próximos capítulos, de "para sempres" imortalizados. Subir degrau a degrau a realidade de gestos cúmplices, de olhares que se tocam, de juras cumpridas, de sentimentos conquistados... com as tuas mãos bem presas às minhas...


filipaferreira 29-10-2007

1 comment:

Anonymous said...

É mesmo uma ternura ler as tuas palavras, que lucidez.. adoro*