
Fora de mim, um mundo cheio de muralhas que não consigo transpor.
Tantas luzes no céu... e tantos interruptores longe do meu alcance.
Dentro dele, conjuntos de fronteiras que não se atravessam,
quilómetros de pensamentos que não se ultrapassam.
Países que não são mais do que o resumo de passagens,
que nunca chegámos a visitar.
Mas estão e são. Permanecem.
Do particular nasce a certeza. A certeza de existir, de querer.
As pontes sobre o rio ligam-me a ti, nessa cidade em que não te conheci.
As suas ruas estreitas aconchegam-me no caminho,
os candeeiros que não a iluminam engrandecem a luz tua em mim,
e o seu silêncio à noite aumenta o volume da tua voz.
Fora de mim, o mundo é o mundo. Só.
Dentro de mim, o país que visito a toda a hora.
Onde a esperança se encontra em todos os cantos,
e os gestos se tornam realidade.
E lá tu existes. Lá, ganhas todas as batalhas,
conheces todos os caminhos, descobres todos os segredos,
guardas ao promenor todas as passagens do tempo.
Lá, nessa cidade que ninguém habita a não seres tu,
as ruas estão desertas, e muitos dos caminhos estão ainda por pavimentar...
mas o teu nome está escrito por toda a parte...
No lá que é aqui... bem dentro de mim.
29-11-2007 filipaferreira
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