Wednesday, 2 July 2008

De olhos fechados

Chegaste de mansinho sem te anunciares. Não bateste a porta. Começaste por preencher os espaços que me faltavam. Decoraste o resto com “sei lá o quê”. Desarrumaste tudo.

Nunca te disse o que isso significou para mim. Nunca te falei dos passos que foste percorrendo sem sentires. E eu sem saber, os que fui percorrendo atrás de ti. De olhos fechados. Sempre de olhos fechados.

Porque se alguns dizem que o amor não se vê nem um palmo à frente do nariz, eu digo-te que o vejo de olhos fechados. Porque te vejo a ti quando os fecho. Vejo-te nas lembranças que somos e no futuro em que nos projecto.

Não sei se já te contei algum dos finais felizes que, de olhos fechados, já vivi por nós. Uma vida na qual só tu cabes. Que só tu sabes de cor.

Poder-te-ia contar um ou outro. Mas é isso o amor. Ansiar desesperadamente ver, ao abrir os olhos, quem desenhamos na perfeição de olhos fechados. E eu anseio muito. Muito.

Por isso não te conto nenhum. Porque prefiro viver-te até à exaustão a cada dia que passa. Inventar contigo novos sinónimos para a palavra “amor” e ter e certeza que só tu, e apenas tu, os saberás sempre de cor. Confirmar a cada dia que passa que é impossível que a vida me separe de ti, porque jamais nos podemos separar daquilo que somos.


Poder-te-ia contar um ou outro. Por isso não te conto nenhum. Porque para isso teria que te contar que todos começam e acabam da mesma maneira. Tu a chegares de mansinho sem te anunciares. E eu a rezar para que nunca mais te vás embora.


filipaferreira 02-07-2008

1 comment:

o mesmo de sempre. said...

"abre los ojos" grande filme.informa-te.continuas bem,be strong rapariga que o mundo é para os que fecham o punho e cerram os dentes.