
Mas cá estou eu, rodeada de nadas infinitamente concretos, de falas profundamente silenciosas, de cadeiras vazias e esperas demoradas. Bebo o meu café de manhã, e o nível desse líquido opaco contínua imóvel no copo que é o teu… a tua cadeira vazia… a tua ausência presente. O telefone toca, ouço a tua voz quando atendo, mas não tenho registo de chamadas tuas.
E sem te ter a meu lado, os dias vão passando, enquanto por ti espero nessa esplanada de quiosque onde te vejo sempre… esperas demoradas… e na demora de um sinal teu, a cadeira a meu lado continua desocupada… e quem dera que o vazio que deixas em mim fosse só do tamanho desse lugar sem ninguém, a que já me habituei.
Mas todos esses “teus” continuam presentes em mim sem que ninguém os consiga alcançar. São tesouros perdidos no fundo do mar, que nem eu sei se de lá sairão algum dia. Sou eu, perdida no tempo do silêncio.
E é tudo tão vago como concreto, fugaz como eterno… uma fugacidade de aparições, conversas, trocas de calor quando as peles se tocam, por entre os espaços mortos, tão concretos, de rectas paralelas que nunca se chegam a cruzar…
filipaferreira 27-03-07



