
..................................................Há alturas em que os quadrados parecem bOlas e um cubo de gelo me bloqueia o pensamento. o pensamento. ............................................................................................. Existo numa fotografia guardada numa moldura velhA, colada com fita cola para não se perder. De lá espreito o mundo que se move a uma velocidade alucinAnte, as pessoas que perdem o tempo numa caminhada apressada, e não voltam atrás para o apanharem. Custo a conseguir aperceber-me da temperatura a que a minha expressão congelou e os meus movimentos se descoordenaram com a vida. Lá, sou mais impressão que ReAlidAde. ........................................................
:::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::E sinto-me assim, com mEdO de pisar o caminho que tenho à minha frente. Com medo que ele não exista ou que eu não exista nele. ...........................................
:::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::Mas espero, nesse banco de jardim que pintei da cor que gostava que existisse em mim. Fora dele, a minha mão pouco alcança, o meu sonho fica em pause, e o mundo é o resultado de uma soma de suposições e pontos de interrogação.
........................................................................................................ E resumo-me a esse conjunto de lusco-fuscos pErdiDos na noite. Dentro deles, sucessões de esperas, mais demoradas, meio vivas meio mortas, como quem está numa paragem de autocarro a aguardar a sua vinda em dias de greve.
...................................................................................................... O mundo lá fora avança, e dentro do meu tudo parado. A estagnação dos sorrisos, do movimento dos pássaros, a imobilidade do vento, das gotas de chuva a cair ..............................................................
.........................................................................................E se acordo, se caminho, se desisto sem ter tentado... um banco... eu. Volto sempre ao mesmo ponto de partida: sou lembrança dentro de uma moldura que já não se torna real no olhar de ninguém. E isso sou eu, uma imagem de um pensamento muito pouco lúcido, de uma VisÃo meio turva, meio perdida...
filipaferreira 03-12-2007



