Thursday, 22 November 2007
onde
Fazemos os pilares, regamos as flores. Fechamos as portas, trancamo-nos lá dentro. Tapamos os fins, sustemos a respiração e os olhares sentem-se sem se verem.
A maresia está cá dentro, juntamente com os passeios cheios de folhas estaladiças no outono. Se o vento foge, se o tempo se esgota em degraus movediços, chega até mim o agudizar de uma lembrança sem momento. Os momentos, esses, são o bem me quer, mal me quer de uma contagem sem fim.
Se te procurar, se te encontrar e roubar ao mundo, foges comigo?!
Não quero respostas vagas. Não quero sorrisos que não rasguem tecidos nenhuns. Não preciso de poemas que rimem, nem de rendilhados de palavras. Não preciso de ti sem o sobrenome amor.
Deixei de fazer contas de cabeça quando pensei em apaixonar-me pela mísera ficção em mim. Desquadriculei as folhas e abri-lhes o significado ao meio. As minhas letras não cabem. As tuas não fluem.
Não sabes o meu nome de cor.
filipaferreira 22-11-2007
Tuesday, 20 November 2007
Tuesday, 6 November 2007
saudade
Não sei onde te perdi... se nos resguardos de um sonho inacabado, se nas escadarias de pedra prateada em que a minha mão se desprendeu da tua, se no calor de um abraço que terás julgado frio demais.
Olho para este mar frio de Inverno, e num ápice nunca nada me pareceu tão perfeito: os silêncios que os nossos olhares transcreviam em cumplicidade, a mímica de gestos que sempre adivinhámos um no outro, ou o ranger de dentes que nos avivava a audição...
Uma perfeição de claves de sol que juntos escrevemos na pauta, de "lás" que desenhámos no seu contexto e de "dós" que aprisionámos no seu fim. Fomos tudo isso, e isso foi o que nada fomos. Um conjunto de letras feitas sem sentido mas que encaixaram perfeitamente nas suas melodias. Um conjunto de músicas que contam grandes histórias e compõem esse CD recordável que fomos... esse que ainda ouço hoje nos ecos de mim... esse que ficou esquecido na prateleira de uma estante e que nunca chegámos a editar.
Se hoje o oiço, é porque foi lá que te encontrei, foi lá que nos perdemos, e é lá que te hei-de encontrar sempre... nessa faixa escondida de uma história que me encanta a cada vez que a recordo, nesse caminho do qual nos desviámos quem sabe, para nunca mais lá voltarmos. E se lá te perdi, é lá que te vou aprisionar: nesse pequeno sonho inacabado... dentro desse grande sonho que é a minha vida!
filipaferreira 06-11-2007
Monday, 29 October 2007
és-me
Perscruto-o e desvendo-o aos bocadinhos. Uma soma de traços alinhados em linhas curvas quem me embriagam. Um encaracolar de palavras balbuciadas, de gestos ferozes e indomáveis. Mas isto sou eu a ver-te de perfil, não a olhar-te nos olhos.
Esses jactos direccionados de água que me submergem se me atingem, e me aprisionam nessa caixa de lápis de côr onde somos um só. Mas não tenho medo que entres nas profundidades de mim. Não saberias mais de mim, não tenho mais segredos por desvendar, não sou mais que aquilo que já sabes.
Já te conduzi pelos trilhos mais profundos de mim, e dei-te todas as batalhas a ganhar. Revelei-te o nome de todos os ingredientes para me cozinhares. Ensinei-te os rabiscos coloridos que me formam, para me poderes desenhar também. Pinta, desenha... desenha até não poderes mais.
Não preciso de tudo sem ti... preciso de ti para ser tudo. Só quero que sejas, que estejas e que vivas. Que construas comigo o sonho de um livro cheio de páginas escritas, de próximos capítulos, de "para sempres" imortalizados. Subir degrau a degrau a realidade de gestos cúmplices, de olhares que se tocam, de juras cumpridas, de sentimentos conquistados... com as tuas mãos bem presas às minhas...
filipaferreira 29-10-2007
Saturday, 20 October 2007
eternamente
"... cresci a pensar que amava os frutos, o mar, o céu, a chuva!!!!
Andei a deriva à espera que pudesse ser recompensada por ter aprendido a amá-los. Mas nem
sempre por tudo na vida se recebe recompensa... o puro amor jamais será recompensado.
Por vezes é necessário que a árvore deixe de dar frutos, que sejamos privados de olhar o mar, o céu, de sentir a chuva, para vermos o quão insignificantes se tornam, à luz de quando somos privados de amar.
Nessas alturas a dor e o arrependimento mostram-nos o caminho da felicidade, aquele que procuramos incansávelmente por toda a parte, toda a vida.
Foi então que encontrei o meu caminho e compreendi que era feliz só por te amar. Mas rápidamente percebi que jamais seria recompensada, porque o puro amor reside em ti.
Aquele que se apodera de nós, e é o único a viver ETERNAMENTE..."
escrito algures em 2001 filipaferreira
Thursday, 11 October 2007
refrão
e ao saber,
talvez nao caminhasse assim.
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Procuro, procurando, querendo encontrar,
o sonho que é a vida onde me passeio,
o banco que é onde por ela espero,
o interruptor que é a sombra onde me escondo,
o segredo de acender-lhe a luz dentro de mim.
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Acordo às vezes sem abrir os olhos,
como chocolates, junto-lhes as pratas,
visto-as a rigor, segredam borboletas,
sei-lhes o cheiro de cor...
mas não encontro a chave,
nem a resposta,
nem o som,
nem eu...
nem a mim...
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Mas danço dentro dessas quadrículas apertadas,
soam sinetas, múrmurios (sou eu a falar?!),
e procuro a saída, o destino, o fado,
o refrão deste poema sem sentido,
o fim dos círculos desfigurados que o meu corpo desenha.
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E serei eu este, aquele ou o outro?
o piano acariciado sem emitir sons,
e se procurasse emitiria o caminho,
ou caminhava como eu?!...
sem saber... E caminharia assim?!
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Mas entre as claves de sol, as teclas sonantes,
os gritos ouvidos, as terras perdidas,
as músicas cantadas entoando tormento,
os beijos roubados, as guerras travadas...
há um traço, uma curva, uma roda, ou até um ponto.
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um ponto... um ponto... dois pontos... ou um ponto?!
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Não!!!! um CAMINHO!
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filipaferreira 11-10-07
Wednesday, 3 October 2007
Há dias assim

..................................................Há alturas em que os quadrados parecem bOlas e um cubo de gelo me bloqueia o pensamento. o pensamento. ............................................................................................. Existo numa fotografia guardada numa moldura velhA, colada com fita cola para não se perder. De lá espreito o mundo que se move a uma velocidade alucinAnte, as pessoas que perdem o tempo numa caminhada apressada, e não voltam atrás para o apanharem. Custo a conseguir aperceber-me da temperatura a que a minha expressão congelou e os meus movimentos se descoordenaram com a vida. Lá, sou mais impressão que ReAlidAde. ........................................................
:::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::E sinto-me assim, com mEdO de pisar o caminho que tenho à minha frente. Com medo que ele não exista ou que eu não exista nele. ...........................................
:::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::Mas espero, nesse banco de jardim que pintei da cor que gostava que existisse em mim. Fora dele, a minha mão pouco alcança, o meu sonho fica em pause, e o mundo é o resultado de uma soma de suposições e pontos de interrogação.
........................................................................................................ E resumo-me a esse conjunto de lusco-fuscos pErdiDos na noite. Dentro deles, sucessões de esperas, mais demoradas, meio vivas meio mortas, como quem está numa paragem de autocarro a aguardar a sua vinda em dias de greve.
...................................................................................................... O mundo lá fora avança, e dentro do meu tudo parado. A estagnação dos sorrisos, do movimento dos pássaros, a imobilidade do vento, das gotas de chuva a cair ..............................................................
.........................................................................................E se acordo, se caminho, se desisto sem ter tentado... um banco... eu. Volto sempre ao mesmo ponto de partida: sou lembrança dentro de uma moldura que já não se torna real no olhar de ninguém. E isso sou eu, uma imagem de um pensamento muito pouco lúcido, de uma VisÃo meio turva, meio perdida...
filipaferreira 03-12-2007
