Faltam-me as palavras para decifrar o que resta da vontade que não é a minha.
Afinal desistimos. Gravámos o sabor do último abraço, do olhar até sempre. Lutámos sempre de menos, vivemos sempre de menos, como se espera de um rewind com uma pausa assim. Chamar-lhe-ei pausa. Uma pausa para sempre num amor demasiado intenso.
O que nos faltou foi isso. Aquilo que este vazio não me deixa ainda ver.
E se o amor não nos deixa ver nem um palmo à frente do nariz, talvez estivessemos estado sempre um palmo atrás do nosso.
Não construímos os alicerces, nem destruímos as brasas. Chamámos-lhe um dia amor, vivemo-lo um dia, e hoje em dia olhamos as cinzas com sabor a saudade, tentando preencher essas ausências que lhe faltaram.
Talvez o caminho seja só este. Será. Nunca houve nenhum “tarde demais”. Estávamos lá os dois. Caminhámos os dois para aquela estação de comboios, em que metade do dinheiro com que compraste o bilhete, era meu. Chegámos a horas, e ainda esperámos dois minutos. Tempo suficiente para não sei o quê. Não sei o quê.
Carreguei-me contigo na tua bagagem antes de entrares. Foram os dois minutos da minha vida. Não nos olhámos, não colámos as mãos ao vidro. Não era uma despedida.
Vi o comboio partir, e já sabia que era para sempre.
filipaferreira 06-02-2008
Wednesday, 6 February 2008
Saturday, 12 January 2008
aprender
Passou mais um ano e de punho cerrado guardo o que viajou comigo através dele, o que desembarcou comigo.
Aprendi que sempre fizeste parte de mim mesmo que tenhas embrulhado e desembrulhado esse ponto final que me ofereceste.
Aprendi que as fotografias guardam momentos que ficam para sempre gravados em nós. Imprimi algumas do album que ficou gravado em mim.
Aprendi que as recompensas não têm prazos, não têm tempo. Não vale a pena esperar por nada que não seja conseguido com amor.
Aprendi que há pessoas que nunca serão felizes por aquilo que não constroem. Tive a certeza que não sou uma delas.
Aprendi que tudo à minha volta é tão mais belo do que a beleza que lhes vejo. Aprendi que belo é ter os que amo para olhar comigo.
Aprendi que todos os dias erro. Que todos os dias volto atrás sem sair do mesmo sítio. Que todos os dias fujo e alcanço. Que todos os dias cresço.
Aprendi que o que é verdadeiro perdura e o que nunca foi ou deixou de ser é uma página virada. Não virei nenhuma.
Ao invés construí letra a letra a história que me acompanhou. Reinventei as palavras, dei-lhes o meu sabor, conduzi-lhes as frases. Porque a cerrei, a história essa, nos meus punhos com toda a força que sou. Dei-lhe força e fi-la viajar comigo... não mais do que viajo eu com ela. Para mim uma viagem sem fim.
Aprendi a agradecer. Obrigada.
2008 felizes aprendizagens para todos
Aprendi que sempre fizeste parte de mim mesmo que tenhas embrulhado e desembrulhado esse ponto final que me ofereceste.
Aprendi que as fotografias guardam momentos que ficam para sempre gravados em nós. Imprimi algumas do album que ficou gravado em mim.
Aprendi que as recompensas não têm prazos, não têm tempo. Não vale a pena esperar por nada que não seja conseguido com amor.
Aprendi que há pessoas que nunca serão felizes por aquilo que não constroem. Tive a certeza que não sou uma delas.
Aprendi que tudo à minha volta é tão mais belo do que a beleza que lhes vejo. Aprendi que belo é ter os que amo para olhar comigo.
Aprendi que todos os dias erro. Que todos os dias volto atrás sem sair do mesmo sítio. Que todos os dias fujo e alcanço. Que todos os dias cresço.
Aprendi que o que é verdadeiro perdura e o que nunca foi ou deixou de ser é uma página virada. Não virei nenhuma.
Ao invés construí letra a letra a história que me acompanhou. Reinventei as palavras, dei-lhes o meu sabor, conduzi-lhes as frases. Porque a cerrei, a história essa, nos meus punhos com toda a força que sou. Dei-lhe força e fi-la viajar comigo... não mais do que viajo eu com ela. Para mim uma viagem sem fim.
Aprendi a agradecer. Obrigada.
2008 felizes aprendizagens para todos
Wednesday, 12 December 2007
onde estou

Não te procuro, e se te encontro, desde logo te perco.
Rasgaste o pedaço de papel onde reinventámos e desenhámos o meu sorriso. Pedaços sem caminho para onde ir, perdidos no que sobrou dessa folha A4.
Todos os dias acabo por encontrar um deles. Nos momentos em que te recordo e logo vou ao dicionário procurar o sinificado da palavra saudade. Tão pequena essa palavra. Tão grandemente sinónima do apelido que te atribuí.
Aparentemente desenhei outro. Aparentemente coloquei-o no lugar. Aparentemente servi-me dele, deixei que fizesse rasgos na minha cara, e cheguei a ensinar-lhe o caminho da felicidade. Aparentemente consegui.
filipaferreira 12-12-2007
Friday, 30 November 2007
cidade

Fora de mim, um mundo cheio de muralhas que não consigo transpor.
Tantas luzes no céu... e tantos interruptores longe do meu alcance.
Dentro dele, conjuntos de fronteiras que não se atravessam,
quilómetros de pensamentos que não se ultrapassam.
Países que não são mais do que o resumo de passagens,
que nunca chegámos a visitar.
Mas estão e são. Permanecem.
Do particular nasce a certeza. A certeza de existir, de querer.
As pontes sobre o rio ligam-me a ti, nessa cidade em que não te conheci.
As suas ruas estreitas aconchegam-me no caminho,
os candeeiros que não a iluminam engrandecem a luz tua em mim,
e o seu silêncio à noite aumenta o volume da tua voz.
Fora de mim, o mundo é o mundo. Só.
Dentro de mim, o país que visito a toda a hora.
Onde a esperança se encontra em todos os cantos,
e os gestos se tornam realidade.
E lá tu existes. Lá, ganhas todas as batalhas,
conheces todos os caminhos, descobres todos os segredos,
guardas ao promenor todas as passagens do tempo.
Lá, nessa cidade que ninguém habita a não seres tu,
as ruas estão desertas, e muitos dos caminhos estão ainda por pavimentar...
mas o teu nome está escrito por toda a parte...
No lá que é aqui... bem dentro de mim.
29-11-2007 filipaferreira
Thursday, 22 November 2007
onde
Se o rio cái tinto o vinho embriaga-se no subsolo de um beijo.
Fazemos os pilares, regamos as flores. Fechamos as portas, trancamo-nos lá dentro. Tapamos os fins, sustemos a respiração e os olhares sentem-se sem se verem.
A maresia está cá dentro, juntamente com os passeios cheios de folhas estaladiças no outono. Se o vento foge, se o tempo se esgota em degraus movediços, chega até mim o agudizar de uma lembrança sem momento. Os momentos, esses, são o bem me quer, mal me quer de uma contagem sem fim.
Se te procurar, se te encontrar e roubar ao mundo, foges comigo?!
Não quero respostas vagas. Não quero sorrisos que não rasguem tecidos nenhuns. Não preciso de poemas que rimem, nem de rendilhados de palavras. Não preciso de ti sem o sobrenome amor.
Deixei de fazer contas de cabeça quando pensei em apaixonar-me pela mísera ficção em mim. Desquadriculei as folhas e abri-lhes o significado ao meio. As minhas letras não cabem. As tuas não fluem.
Não sabes o meu nome de cor.
filipaferreira 22-11-2007
Fazemos os pilares, regamos as flores. Fechamos as portas, trancamo-nos lá dentro. Tapamos os fins, sustemos a respiração e os olhares sentem-se sem se verem.
A maresia está cá dentro, juntamente com os passeios cheios de folhas estaladiças no outono. Se o vento foge, se o tempo se esgota em degraus movediços, chega até mim o agudizar de uma lembrança sem momento. Os momentos, esses, são o bem me quer, mal me quer de uma contagem sem fim.
Se te procurar, se te encontrar e roubar ao mundo, foges comigo?!
Não quero respostas vagas. Não quero sorrisos que não rasguem tecidos nenhuns. Não preciso de poemas que rimem, nem de rendilhados de palavras. Não preciso de ti sem o sobrenome amor.
Deixei de fazer contas de cabeça quando pensei em apaixonar-me pela mísera ficção em mim. Desquadriculei as folhas e abri-lhes o significado ao meio. As minhas letras não cabem. As tuas não fluem.
Não sabes o meu nome de cor.
filipaferreira 22-11-2007
Tuesday, 20 November 2007
Tuesday, 6 November 2007
saudade
Não sei onde te perdi... se nos resguardos de um sonho inacabado, se nas escadarias de pedra prateada em que a minha mão se desprendeu da tua, se no calor de um abraço que terás julgado frio demais.
Olho para este mar frio de Inverno, e num ápice nunca nada me pareceu tão perfeito: os silêncios que os nossos olhares transcreviam em cumplicidade, a mímica de gestos que sempre adivinhámos um no outro, ou o ranger de dentes que nos avivava a audição...
Uma perfeição de claves de sol que juntos escrevemos na pauta, de "lás" que desenhámos no seu contexto e de "dós" que aprisionámos no seu fim. Fomos tudo isso, e isso foi o que nada fomos. Um conjunto de letras feitas sem sentido mas que encaixaram perfeitamente nas suas melodias. Um conjunto de músicas que contam grandes histórias e compõem esse CD recordável que fomos... esse que ainda ouço hoje nos ecos de mim... esse que ficou esquecido na prateleira de uma estante e que nunca chegámos a editar.
Se hoje o oiço, é porque foi lá que te encontrei, foi lá que nos perdemos, e é lá que te hei-de encontrar sempre... nessa faixa escondida de uma história que me encanta a cada vez que a recordo, nesse caminho do qual nos desviámos quem sabe, para nunca mais lá voltarmos. E se lá te perdi, é lá que te vou aprisionar: nesse pequeno sonho inacabado... dentro desse grande sonho que é a minha vida!
filipaferreira 06-11-2007
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