Wednesday, 12 December 2007

onde estou



Não te procuro, e se te encontro, desde logo te perco.
Rasgaste o pedaço de papel onde reinventámos e desenhámos o meu sorriso. Pedaços sem caminho para onde ir, perdidos no que sobrou dessa folha A4.
Todos os dias acabo por encontrar um deles. Nos momentos em que te recordo e logo vou ao dicionário procurar o sinificado da palavra saudade. Tão pequena essa palavra. Tão grandemente sinónima do apelido que te atribuí.
Aparentemente desenhei outro. Aparentemente coloquei-o no lugar. Aparentemente servi-me dele, deixei que fizesse rasgos na minha cara, e cheguei a ensinar-lhe o caminho da felicidade. Aparentemente consegui.


filipaferreira 12-12-2007

Friday, 30 November 2007

cidade



Fora de mim, um mundo cheio de muralhas que não consigo transpor.
Tantas luzes no céu... e tantos interruptores longe do meu alcance.


Dentro dele, conjuntos de fronteiras que não se atravessam,
quilómetros de pensamentos que não se ultrapassam.
Países que não são mais do que o resumo de passagens,
que nunca chegámos a visitar.
Mas estão e são. Permanecem.


Do particular nasce a certeza. A certeza de existir, de querer.
As pontes sobre o rio ligam-me a ti, nessa cidade em que não te conheci.
As suas ruas estreitas aconchegam-me no caminho,
os candeeiros que não a iluminam engrandecem a luz tua em mim,
e o seu silêncio à noite aumenta o volume da tua voz.


Fora de mim, o mundo é o mundo. Só.


Dentro de mim, o país que visito a toda a hora.
Onde a esperança se encontra em todos os cantos,
e os gestos se tornam realidade.


E lá tu existes. Lá, ganhas todas as batalhas,
conheces todos os caminhos, descobres todos os segredos,
guardas ao promenor todas as passagens do tempo.


Lá, nessa cidade que ninguém habita a não seres tu,
as ruas estão desertas, e muitos dos caminhos estão ainda por pavimentar...


mas o teu nome está escrito por toda a parte...


No lá que é aqui... bem dentro de mim.



29-11-2007 filipaferreira

Thursday, 22 November 2007

onde

Se o rio cái tinto o vinho embriaga-se no subsolo de um beijo.

Fazemos os pilares, regamos as flores. Fechamos as portas, trancamo-nos lá dentro. Tapamos os fins, sustemos a respiração e os olhares sentem-se sem se verem.

A maresia está cá dentro, juntamente com os passeios cheios de folhas estaladiças no outono. Se o vento foge, se o tempo se esgota em degraus movediços, chega até mim o agudizar de uma lembrança sem momento. Os momentos, esses, são o bem me quer, mal me quer de uma contagem sem fim.

Se te procurar, se te encontrar e roubar ao mundo, foges comigo?!

Não quero respostas vagas. Não quero sorrisos que não rasguem tecidos nenhuns. Não preciso de poemas que rimem, nem de rendilhados de palavras. Não preciso de ti sem o sobrenome amor.

Deixei de fazer contas de cabeça quando pensei em apaixonar-me pela mísera ficção em mim. Desquadriculei as folhas e abri-lhes o significado ao meio. As minhas letras não cabem. As tuas não fluem.

Não sabes o meu nome de cor.


filipaferreira 22-11-2007

Tuesday, 20 November 2007

Gosto-te



.................................princezinha............................................

Tuesday, 6 November 2007

saudade



Não sei onde te perdi... se nos resguardos de um sonho inacabado, se nas escadarias de pedra prateada em que a minha mão se desprendeu da tua, se no calor de um abraço que terás julgado frio demais.


Olho para este mar frio de Inverno, e num ápice nunca nada me pareceu tão perfeito: os silêncios que os nossos olhares transcreviam em cumplicidade, a mímica de gestos que sempre adivinhámos um no outro, ou o ranger de dentes que nos avivava a audição...


Uma perfeição de claves de sol que juntos escrevemos na pauta, de "lás" que desenhámos no seu contexto e de "dós" que aprisionámos no seu fim. Fomos tudo isso, e isso foi o que nada fomos. Um conjunto de letras feitas sem sentido mas que encaixaram perfeitamente nas suas melodias. Um conjunto de músicas que contam grandes histórias e compõem esse CD recordável que fomos... esse que ainda ouço hoje nos ecos de mim... esse que ficou esquecido na prateleira de uma estante e que nunca chegámos a editar.


Se hoje o oiço, é porque foi lá que te encontrei, foi lá que nos perdemos, e é lá que te hei-de encontrar sempre... nessa faixa escondida de uma história que me encanta a cada vez que a recordo, nesse caminho do qual nos desviámos quem sabe, para nunca mais lá voltarmos. E se lá te perdi, é lá que te vou aprisionar: nesse pequeno sonho inacabado... dentro desse grande sonho que é a minha vida!



filipaferreira 06-11-2007

Monday, 29 October 2007

és-me

Fecho os olhos e vejo-te de perfil. Sei-o de cor. A dimensão do olhar que transportas nas linhas do tempo que deixas por escrever, a longitude que ele alcança, os rastos que vai deixando pelo caminho.

Perscruto-o e desvendo-o aos bocadinhos. Uma soma de traços alinhados em linhas curvas quem me embriagam. Um encaracolar de palavras balbuciadas, de gestos ferozes e indomáveis. Mas isto sou eu a ver-te de perfil, não a olhar-te nos olhos.

Esses jactos direccionados de água que me submergem se me atingem, e me aprisionam nessa caixa de lápis de côr onde somos um só. Mas não tenho medo que entres nas profundidades de mim. Não saberias mais de mim, não tenho mais segredos por desvendar, não sou mais que aquilo que já sabes.

Já te conduzi pelos trilhos mais profundos de mim, e dei-te todas as batalhas a ganhar. Revelei-te o nome de todos os ingredientes para me cozinhares. Ensinei-te os rabiscos coloridos que me formam, para me poderes desenhar também. Pinta, desenha... desenha até não poderes mais.

Não preciso de tudo sem ti... preciso de ti para ser tudo. Só quero que sejas, que estejas e que vivas. Que construas comigo o sonho de um livro cheio de páginas escritas, de próximos capítulos, de "para sempres" imortalizados. Subir degrau a degrau a realidade de gestos cúmplices, de olhares que se tocam, de juras cumpridas, de sentimentos conquistados... com as tuas mãos bem presas às minhas...


filipaferreira 29-10-2007

Saturday, 20 October 2007

eternamente


"... cresci a pensar que amava os frutos, o mar, o céu, a chuva!!!!

Andei a deriva à espera que pudesse ser recompensada por ter aprendido a amá-los. Mas nem
sempre por tudo na vida se recebe recompensa... o puro amor jamais será recompensado.

Por vezes é necessário que a árvore deixe de dar frutos, que sejamos privados de olhar o mar, o céu, de sentir a chuva, para vermos o quão insignificantes se tornam, à luz de quando somos privados de amar.

Nessas alturas a dor e o arrependimento mostram-nos o caminho da felicidade, aquele que procuramos incansávelmente por toda a parte, toda a vida.

Foi então que encontrei o meu caminho e compreendi que era feliz só por te amar. Mas rápidamente percebi que jamais seria recompensada, porque o puro amor reside em ti.

Aquele que se apodera de nós, e é o único a viver ETERNAMENTE..."

escrito algures em 2001 filipaferreira