Saturday, 31 January 2009

início


Vejo-te lá ao fundo e já chamas por mim. Chamas pelo meu nome, gritas pelo meu ser. Alcanço-te sem te tocar. Tocas-me sem me possuíres. E somos unos. Conhecerei o teu cheiro de cor, todas as cores que decorarão os teus olhos, os traços que vão compor essa a melodia que entoarei até morrer. Desenharei contigo as árvores e as casas. Dar-lhes-ei cor. Ensinar-te-ei o caminho para lá chegares. Até lá, sou feliz assim. Porque te sinto. Porque te vejo lá ao fundo… bem dentro de mim.


filipaferreira 31-01-09

Tuesday, 2 December 2008

ponto de partida

Dá-me a mão e conduz-me de olhos fechados por onde achares que é o caminho. Falta-me a destreza para saber escolhê-lo e para saber escolhê-lo bem. Já te disse que não sinto as pernas e os meus pés estão gelados. O que me provoca arrepios na mente. Iguais aos que me provocas tu quando te sinto a meu lado. Faltam-me os significados das palavras, os contextos em que as inserir. Faltam-me os fios às meadas, as meadas, os começos. O ponto de partida. Aquele pelo qual ainda procuro indo quase a meio. Mas as histórias dizem que importante é encontrá-los. Não há tempo. Não há vida. Há entretantos e memórias. Entre eles e elas quase encontro essa ponta solta que me falta.

Por isso peço-te que me guies. Guia-me por esses caminhos que achas que serão os nossos, sei que os escolherás bem. Guia-me por essas linhas que serão a nossa história, sei que a escreverás bem. Pega na minha mão e mostra-me a ponta da meada que me falta. Não a meada. A ponta. O começo. Contigo, o fim.

filipaferreira 02-12-2008

Thursday, 23 October 2008

ser

Peço-te o silêncio que não me revelas. Aquele que nos fará crescer aos dois mesmo sem darmos por isso. Viaja sozinho que eu farei o mesmo. Sem aquele medo eterno de que o avião caia, e não estejas a meu lado. Foi isso que a vida me ensinou sem talvez nunca ter ido às aulas e ter faltado sempre no dia dos exames finais. Que não possuímos ninguém. Que não temos ninguém. E talvez só assim faça sentido. Porque os corpos não são nada mais que isso: a materialização do sentimento de posse. Sou muito mais do que aquilo que possuo. E aquilo que sou é o que os outros são, o que muitos deveriam ser. Um conjunto de seres que partilham valores mais altos que um papel assinado ou juras eternas. O que é eterno não se jura. Compromete-se e prova-se. Pelo sabor que tem o tempo que felizmente tarda em passar. Pelas horas que passam sem olharmos para o relógio, porque não importa nada para lá da redoma irreal em que estamos. Teremos tempo para viver, não para ser, e não para sermos juntos. Por isso sou o mundo e tudo o que ele contém. Porque o alcanço com a alma. Com a força de querer. E sou tudo sem ter nada. E sê-lo faz-me feliz. Partilhar a minha alma com a tua e saber que trago tudo de ti sem possuir nenhum dos dois corpos. E só assim sei que do ponto mais baixo do mundo, sem sequer me por em "bicos de pés", alcanço com o braço esticado a estrela mais elevada do céu.

filipaferreira 23-10-08

Friday, 26 September 2008

viagem

às vezes penso que vivemos dentro de quatro paredes. apagámos as luzes. escutamos o vento. perdemo-nos assim nesse lugar sem mobílias, tão cheio de espaço e preenchido por tudo ao mesmo tempo. mas não chegámos a acordo quanto à cor dos móveis ou os quadros para colocar na parede. não discutimos sequer sobre a cor dos sofás. não, tu não querias brancos. e eu talvez não quisesse também. não. não sei. talvez sejamos apenas o espelho no rio um do outro. talvez eu tenha simplesmente mudado de direcção o teu sinal de sentido obrigatório. e tu tenhas mudado de direcção o meu. e talvez só assim as coisas façam sentido.
mas o tempo passa tão bem sem senti-lo passar. e se ele passa eu passo com ele e tu passas comigo. passamos juntos. e juntos fazemo-lo passar sem darmos pela sua passagem. isso, agarra-me porque eu não fujo! mas faço-te fugir comigo nesta montanha de sentimentos que passam sem sair do mesmo lugar. passam-me à noite, e de dia com a luz apagada. gosto quando apagas as luzes e discutimos sobre a cor dos móveis que não temos. gosto quando viajamos em sonhos. tenho medo da viagem, mas tu seguras-me bem. e o tempo passa sem passar porque não me importo que ele passe. não me importo que a vida corra nem que escolhas umas cortinas da cor do céu. e talvez nem as quisesse. mas aceno com a cabeça quando me dizes que são as tuas preferidas. passam a ser as minhas também. afinal continuamos sem nada nestas paredes. quatro?! quero lá saber. são reais?! não interessa. escutar o vento parece-me bem. estar aqui sem mais nada senão tu parece-me melhor ainda. torna o momento mais real. e talvez só assim as coisas façam sentido. só assim farão.



filipaferreira 26-09-08

Sunday, 31 August 2008

encontro

Não perco os momentos. Perdem-me antes eles a mim. Sou mais veloz que a sua velocidade e caminho à frente do seu futuro.

Por isso não desisto. Porque queimam em mim as cinzas que vão ficando para trás, e os passos que não ficaram por dar. Porque não perdi nada. Nunca nada até agora.

Assim me sento nesse café à hora combinada. Sem esperar nada nem ninguém. Sem medo de ler os jornais que estarão ocupados, de beber o café que chegou cheio demais. Sem medo de ninguém ocupar nenhuma das cadeiras que ficou vaga para ninguém.

E afinal sempre é como disseste que seria. O momento, que acredito ser este.

Falaste-me em liberdade. A liberdade do amor. O dia em que mergulharemos no mar e os nossos corpos não hão-de gelar. Porque a temperatura que nos une será superior.

E assim o é. Sou livre. A minha alma segue-te a cada passo que o nosso amor dá. Somos um do outro sem nos possuirmos. E por isso podemos marcar encontros sem estarmos presentes. Sinto-me livre assim. Com a certeza que estarás à hora marcada. Porque te sinto e te sei presente. Mesmo se não estás.


filipaferreira 31-08-2008

free click #1






( Fotos by filipaferreira. Todos os direitos reservados)



Friday, 8 August 2008

linhas direitas #1

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Preciso de te encostar ao meu peito para que oiças o batimento do meu coração. Para sentires como ele corre por ti e quase pára quando não estás. Preciso de te sentir seguro e segurar-me contigo, porque a viagem é longa. E eu quero chegar lá. Quero muito. Seja lá onde isso for. Quero chegar lá contigo.
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filipaferreira 08-08-08