Sunday, 31 August 2008

encontro

Não perco os momentos. Perdem-me antes eles a mim. Sou mais veloz que a sua velocidade e caminho à frente do seu futuro.

Por isso não desisto. Porque queimam em mim as cinzas que vão ficando para trás, e os passos que não ficaram por dar. Porque não perdi nada. Nunca nada até agora.

Assim me sento nesse café à hora combinada. Sem esperar nada nem ninguém. Sem medo de ler os jornais que estarão ocupados, de beber o café que chegou cheio demais. Sem medo de ninguém ocupar nenhuma das cadeiras que ficou vaga para ninguém.

E afinal sempre é como disseste que seria. O momento, que acredito ser este.

Falaste-me em liberdade. A liberdade do amor. O dia em que mergulharemos no mar e os nossos corpos não hão-de gelar. Porque a temperatura que nos une será superior.

E assim o é. Sou livre. A minha alma segue-te a cada passo que o nosso amor dá. Somos um do outro sem nos possuirmos. E por isso podemos marcar encontros sem estarmos presentes. Sinto-me livre assim. Com a certeza que estarás à hora marcada. Porque te sinto e te sei presente. Mesmo se não estás.


filipaferreira 31-08-2008

free click #1






( Fotos by filipaferreira. Todos os direitos reservados)



Friday, 8 August 2008

linhas direitas #1

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Preciso de te encostar ao meu peito para que oiças o batimento do meu coração. Para sentires como ele corre por ti e quase pára quando não estás. Preciso de te sentir seguro e segurar-me contigo, porque a viagem é longa. E eu quero chegar lá. Quero muito. Seja lá onde isso for. Quero chegar lá contigo.
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filipaferreira 08-08-08

Sunday, 3 August 2008

emes


Precisava de saber se vou viver para sempre para atar de vez este nó na garganta, até lhe cortar o fôlego.

Estes silêncios afundam-me na minha própria fuga. Em caminhos que procurei e vidas que não fui. Em pessoas que passaram mas nunca estiveram. Umas que viveram. Outras que morreram. Outras que viveram tão depressa e desapareceram tão depressa, que mais parece que nunca passaram. Que nunca estiveram. Que nunca chegaram a ser.

Os sentidos não são as letras nem as frases. São as histórias. As curtas. As enviesadas. As omitidas. As francamente reveladas. As que não fazem sentido se não houver quem as transporte no tempo.

Pergunto-me hoje quais são as que transporto. Quem transportará a minha no amanhã. E perco tempo. Perco tempo enquanto penso. Enquanto me deixo submergir neste nó. Se ele é maior que eu?! Ele é maior que eu. Às vezes. Só as vezes. Enquanto deixo de respirar e penso na efemeridade das coisas. Na efemeridade de mim.

Portanto, acreditar que serei para sempre, que estarei para sempre, faz-me viver. Concretizar a ideia que sou um somatório de pessoas e não uma só.

Não moro aqui. Não estou aqui. Sou de todo o lado, e irei até onde me levarem. Transportem a minha história com o mesmo poder de pertença com que transporto a vossa. Unir-nos-emos naquele sítio que arremata a solidão em gomos por deixarmos de lhe pertencer. E a vida será nossa.

Até lá, não falo mais sobre isto. Recuso-me a acordar com “emes”, “és”, “dês” e “ós” na cabeça. Recuso-me a deixar de viver no momento em que permito que o resultado da sua soma seja maior que o poder que sempre terei de aumentar a minha. De aumentarmos a nossa. De viver.


filipaferreira 03-03-2008

Wednesday, 2 July 2008

De olhos fechados

Chegaste de mansinho sem te anunciares. Não bateste a porta. Começaste por preencher os espaços que me faltavam. Decoraste o resto com “sei lá o quê”. Desarrumaste tudo.

Nunca te disse o que isso significou para mim. Nunca te falei dos passos que foste percorrendo sem sentires. E eu sem saber, os que fui percorrendo atrás de ti. De olhos fechados. Sempre de olhos fechados.

Porque se alguns dizem que o amor não se vê nem um palmo à frente do nariz, eu digo-te que o vejo de olhos fechados. Porque te vejo a ti quando os fecho. Vejo-te nas lembranças que somos e no futuro em que nos projecto.

Não sei se já te contei algum dos finais felizes que, de olhos fechados, já vivi por nós. Uma vida na qual só tu cabes. Que só tu sabes de cor.

Poder-te-ia contar um ou outro. Mas é isso o amor. Ansiar desesperadamente ver, ao abrir os olhos, quem desenhamos na perfeição de olhos fechados. E eu anseio muito. Muito.

Por isso não te conto nenhum. Porque prefiro viver-te até à exaustão a cada dia que passa. Inventar contigo novos sinónimos para a palavra “amor” e ter e certeza que só tu, e apenas tu, os saberás sempre de cor. Confirmar a cada dia que passa que é impossível que a vida me separe de ti, porque jamais nos podemos separar daquilo que somos.


Poder-te-ia contar um ou outro. Por isso não te conto nenhum. Porque para isso teria que te contar que todos começam e acabam da mesma maneira. Tu a chegares de mansinho sem te anunciares. E eu a rezar para que nunca mais te vás embora.


filipaferreira 02-07-2008

Sunday, 1 June 2008

tributo ao amor

Pensei que fosse mais fácil matar-te dentro de mim. Sufocar-te até não poder mais. Tirar-te o ar que me tiras tu a mim, e devolver-mo como prémio de consolação.

Mas canso-me mais agora. Muito mais do que quando possuías o meu corpo e dilaceravas a minha mente. Afinal sempre estava dependente dessa dependência que dominava o meu tempo.

Passam os dias, e sem perceber muito bem como e porquê, vou eu passando com eles. Um passar meio passeio depois da idade da reforma. Não espero por ti em lado nenhum porque não te deixei um papel com a minha morada, uma pista do meu número de telefone. Cansei-me de o fazer. Afinal, nunca vieste, nunca respondeste aos meus bilhetes, deixaste de me acenar na rua.

Morreram os tempos em que me deixava consumir pelo desejo de um beijo teu. Morreram aqueles em que me afogava na memória de uma presença tua. Morreram os meus agora que não estás.


Ainda não saí do mesmo sítio. Mas não espero por ti em lado nenhum. É melhor assim.

Lava-me, esfrega-me a pele. Limpa-me desse teu cheiro, da necessidade do teu corpo. Esfrega-me até não poderes mais, até fazer sangue, até deixar de ouvir a tua respiração, até o mundo deixar de ouvir a minha, não importa. Não importa o mundo. Não importa a vida. Não importa o tempo. Não importa tudo... porque não estás.


filipaferreira 01-06-2008


ao som de Citizen Erased - Hullabaloo, Muse

Thursday, 8 May 2008

momento 7|5


Porque me calas os sentidos num arrepio de pele

me inundas num sorriso que não controlo,

e me carregas contigo nesse mundo de elefantes e cores gigantes.

Um dia faço-te o rascunho do sentimento,

pinto-te a loucura do momento...

Hoje, ele preenche-me a mim.
filipaferreira 08-05-2008